HOTELARIA FECHA ACORDO PARA COPA DE 2014

12 de julho de 2010 - por Pilo

SÃO PAULO – O setor hoteleiro brasileiro venceu uma queda-de-braço com a Associação Internacional das Federações de Futebol (Fifa), que reduziu a quantidade mínima de quartos reservados para os jogos da Copa do Mundo de 2014, antes em 80%, e aumentou o prazo de devolução das reservas para três meses, ante um mês previsto anteriormente. Além disso, a pressão da hotelaria nacional fez com que a Fifa abrisse mão de definir o valor por quarto este ano, transferindo a obrigação para 2012.

Com isso, duas redes hoteleiras já firmaram acordo com a entidade, pensando na ampliação do negócio com o evento, como a Atlantica Hotels Internacional, que prevê a construção de 22 novos hotéis até 2014, e a Bristol Hotéis e Resorts, que pretende dobrar o número de hotéis no País nos próximos quatro anos.

A Atlântica fechou o contrato de parceria em 45 hotéis com a empresa Match Services, escolhida pela Fifa para fornecer os serviços de bilheteria, hospedagem e tecnologia da informação (TI). Entretanto, o vice-presidente da rede e presidente do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), Rafael Guaspari, comentou ao DCI que esta tarefa não foi tão fácil quanto parece, pois as negociações entre a entidade do futebol e a hotelaria brasileira estavam muito complicadas.

Guaspari disse que a Fifa inicialmente apresentou aos hoteleiros um contrato que impunha o bloqueio de 80% dos leitos disponíveis no hotel, pelo prazo de três meses, além de definir a tarifa diária no ato da assinatura, com pequenos reajustes até 2014. Outro ponto de discórdia era que em caso de não conseguir comercializar o leito, a entidade devolveria a mesma para o hotel a apenas 15 dias de antecedência do evento. “Dissemos que não iríamos assinar contratos desse jeito. Não aceitaríamos fechar contrato de tarifa com o valor menor que o de hoje, ou bloquear 80% de apartamentos em que eles devolveriam apartamentos em cima da Copa do Mundo. Com isso, ficamos um bom tempo sem assinar nenhum acordo”, comentou ele.

Após um ano e meio de negociações, segundo contou Guaspari, a Fifa entrou em um consenso com o setor e retirou o limite mínimo de bloqueio dos leitos, deixando-o aberto para negociação. Além disso, a Fifa definiu que ao final de 2011 seria decidido o valor da tarifa e ampliou para 3 meses a data para devolução dos quartos não comercializados. “Agora ficou melhor para a nossa hotelaria. Entretanto, cada hotel faz a negociação que melhor lhe convier e a Fifa aceita o que achar melhor. Ficou bom para todos.” Em relação aos diversos projetos para a ampliação do setor em determinadas regiões do Brasil, como Manaus (AM) e Cuiabá (MT), o presidente do Fohb enfatizou que tirando estas duas cidades, as demais sedes estão bem preparadas para suprir a demanda.

Contudo, Guaspari se mostrou bem otimista em relação ao crescimento da rede Atlântica, que atua como administradora dos hotéis e prevê a abertura de mais 22 hotéis em quatro anos, com investimentos superiores a R$ 520 milhões, oriundos dos investidores. “Só no Estado do Rio de Janeiro serão 6 hotéis. Mas São Paulo continua sendo o mercado principal.”

Concorrência

Outra rede hoteleira que fechou acordo para a reserva de leitos com a Fifa foi a Bristol Hotéis e Resorts, que optou por conceder o bloqueio de cerca de 30%, ou 250 dos seus apartamentos, que ao todo somam mais de 1.000 quartos. Segundo a empresa, a devolução dos leitos não comercializados será gradual – se cerca de 50% não forem vendidos 90 dias antes da Copa do Mundo, eles iriam liberar mais da metade dessas reservas para a venda pelo hotel e os outros 20% seriam liberados conforme a procura. Somente então, faltando de 10 a 15 dias para o início dos jogos, o restante seria devolvido. “Nós assinamos esse contrato junto à Match em meados de 2009. A meu ver, essa parceria com a Fifa irá nos render muitos frutos, pois ela possui uma série de eventos pré-Copa e eles irão acontecer em diversas capitais”, disse o coordenador de Marketing da rede, Rafael Melo.

A rede possui atualmente 16 hotéis, e prevê expansão para praticamente dobrar esse número, até 2014.

Segundo Melo, ainda este ano será inaugurada uma destas unidades e já existe a conversação para a abertura de mais dois hotéis no Estado de São Paulo, que para ele é um dos principais focos da empresa nos próximos anos. “Esses são números bem realistas e vemos como algo bem palpável também. Além de São Paulo e Rio de Janeiro, ainda estudamos projetos em Manaus e Cuiabá”, comentou ele.

Entre os hotéis que já fecharam parcerias para a Copa, o hotel com forte influência italiana Vale dos Pinheiros, localizado em São Gonçalo, no sul, também comemorou o contrato com a Fifa. Para o proprietário, Moysés Luiz Michelon, que selou a assinatura com a promessa de disponibilizar 80% de seus leitos, esta é a grande oportunidade para divulgar o sul para o mundo. “Desde que Porto Alegre se candidatou a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014, Bento Gonçalves candidatou-se para ser subsede”, disse ele.

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